Por Gilberto Belleza (crônica) | Crédito: Ilustração: Maria Eugenia
Muito do que acontece em nossa vida é planejado e
programado. Até a nossa própria existência, em muitos casos, foi idealizada por
nossos pais. Por que será, então, que não valorizamos um projeto de arquitetura
onde o que desejamos pode ser concebido, estudado e mais bem executado?
Talvez isso se deva ao desconhecimento de boa parte
da sociedade sobre o papel do arquiteto. A contribuição pode vir mesmo antes da
aquisição de um imóvel ou terreno – apontando suas vantagens e desvantagens –,
ou ainda frente a uma construção – destacando possíveis defeitos a serem
sanados ou problemas que poderão aparecer no futuro. Esse profissional estudou
para isso e, certamente, irá compartilhar com o cliente sua experiência,
auxiliando-o a tomar a melhor decisão.
Muitas vezes, as pessoas não sabem definir
exatamente o que desejam. Por isso, é importante que o cliente apresente
claramente suas necessidades, permitindo-se não impor soluções, pois o
arquiteto poderá apresentar alternativas originais e vantajosas. Quer uma
janela quadrada ali? No entanto, uma abertura no teto ou um pequeno visor
externo poderiam enriquecer muito mais a vista interna. Essa interlocução deve
cada vez mais se aprofundar num grande diálogo e significativa troca. Temos um
velho ditado que diz que “os melhores projetos são feitos para os melhores
clientes”, justamente aqueles que têm uma verdadeira participação e
contribuição no processo – não tanto em sua forma, mas sobretudo em suas
ideias. Com isso, vão se desenvolvendo as soluções estruturais e construtivas,
os ambientes e suas necessidades e, por fim, os detalhes e acabamentos.
Tudo é especificado no desenho. Onde fica o
interruptor? Como é o rodapé? E o guarda-corpo? Para que lado abre a porta?
Alguns podem questionar: “Mas eu só pretendo trocar os revestimentos do
banheiro”. Ora, será fácil trocá-los? O piso não irá escorregar? O chuveiro
dará vazão ao volume de água? São definições aparentemente básicas e simples,
mas, se somadas a outras centenas de decisões sobrepostas, podem transformar a
vida de alguém inexperiente em um verdadeiro inferno.
Não pense duas vezes antes de iniciar um projeto e
uma obra. Eles serão inesquecíveis. A diferença é que poderão ser inesquecíveis
positivamente, se acompanhados por um arquiteto; ou negativamente, se feitos
por você sozinho, deixando lembranças à vista para o resto da vida.
*Gilberto Belleza, arquiteto, é
mestre e doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de
São Paulo (FAU-USP), além de professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
(FAU) da Universidade Presbiteriana Mackenzie e presidente do Conselho de
Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP).
FONTE: Arquitetura e Construção












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